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Resumo Histórico



Durante o século XIX, os estados italianos atravessavam uma fase difícil devido à luta pela unificação da Itália; sendo que a anexação de Veneza, que pertencia à Áustria, e os Estados da Igreja, trouxeram para essa unificação, grandes distúrbios políticos e miséria para o seu povo.

Além desses problemas, havia um excesso de população, fazendo crescer no povo italiano, o desejo de descobrir uma nova pátria, onde pudessem ter uma vida melhor e um enriquecimento mais rápido.

Começa então a imigração italiana para o Novo Mundo trazendo consigo suas técnicas, sua arte, seus usos e costumes (que hoje se encontram aculturados na vida brasileira), sua fé, sua fácil adaptabilidade climática e, principalmente, a facilidade de miscigenação com brasileiros e outras nacionalidades.

Para o Brasil a chegada desses imigrantes foi de grande valia, primeiro por causa da expansão do café, segundo pelos problemas com o comércio de escravos, devido à pressão dos ingleses que estavam se industrializando e necessitavam de mercados consumidores e o escravo não consumia, daí quererem sua libertação.

Era um momento difícil; a solução para os fazendeiros de café era a mão-de-obra remunerada, no caso, o imigrante.

Os primeiros tempos foram muito difíceis para os imigrantes, pois coabitavam nas senzalas com os escravos negros, sem a mínima condição de higiene e conforto. Chegaram já em débito com o fazendeiro, a quem tinham que pagar as despesas de viagem e também se submetendo ao "sistema de parceria" onde eram bastante explorados, ficando quase sempre devedores nos armazéns da fazenda, até que esse sistema foi mudado por um ordenado fixo e um determinado número de pés de café e mais uma comissão.

Superaram tudo pela sua valentia, tornando-se posteriormente os industriais, comerciantes e, seus descendentes, profissionais liberais sobrepujando todas as barreira e restrições a eles impostas.

Em 8 de outubro de 1887, chegou ao Brasil o Sr. Joaquim Boer, chefiando uma grande comitiva de imigrantes italianos, que passou a residir na Fazenda Salto Grande, de propriedade do Sr. Francisco de Campos Andrade.


Relação de Famílias representadas por Joaquim Boer

Luiz Delben, Luiz Cia, Antonio Luchesi, Luiz Santarosa, Marcos Campari, José Faé, João Meneghel, Roviglio Bertini, Miguel Bertolo, Olivio Piloto, Luis Sacilotto, Pedro Mantovani, José Grazzi, Antonio Ravagnani, Celeste Trovó, Antonio Trombin, Humberto Casagrande, Vergilio Marsson, José Francescato, Virgilio Duaneto, Luiz Nardo, João Scarazato, José Tonhela, Cesar Casati, Natal Minarello, Paolo Dell'Agnese, José Rozalem, Felicio Seleghini, Antonio Altarujo, Paulino Salvador e Angelo Provedel.

Estas famílias trabalharam durante doze anos para o Sr. Francisco de Campos Andrade e foram obrigadas a morar nas senzalas até que foram construídas as suas casas. Elas se dedicaram ao cultivo do café (produto de exportação), da cana-de-açúcar para a fabricação de aguardente, dos cereais necessários para a sua alimentação e do início da cultura do arroz que, até então, era importado do Japão; plantavam hortaliças, criavam aves para o próprio consumo.

Por falta de pagamento e alimentação, dada a condição precária das finanças do Sr. Francisco de Campos Andrade, as famílias foram para Santa Rita, São Carlos e outras localidades, retornando após pedido do próprio fazendeiro, com a promessa de saldar suas dívidas com os imigrantes e melhores condições de vida para todos.

Transcorrido mais de um ano após o retorno das mesmas, a situação agravou-se novamente devido à participação da família Campos Andrade na política, com a conseqüente perda de grande parte dos seus bens. Dada a honestidade de Francisco de Campos Andrade, nenhum imigrante ficou prejudicado nos seus ganhos, dando-lhes em pagamento um pedaço de terra de acordo com os créditos de cada um (1.899).

Assim, cada família começou a construir seu sítio, sendo essas as primeiras famílias a desbravarem as matas, dando início à lavoura, contribuindo assim para o progresso desta cidade de Americana.

Desde a chegada dos primeiros italianos e seus descendentes e de outros que aqui aportaram até os dias de hoje a sua atuação e participação na vida pública, econômica, política, social e religiosa se faz sentir em cada momento como presença constante em todas as atividades de nossa cidade.

O cultivo da terra, com sua produção, veio gerar riquezas em benefício de toda a coletividade, proporcionando uma diversificação nos diferentes setores da economia, como a indústria e o comércio.

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